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Ogan Leo Dantas

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Minha história no Axé
Palestra: Workshop de Curimba
Aulas Particulares
Turmas Grajaú RJ
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Minha história no Axé

Ogan Leo Dantas


O Andarilho do Axé


A história de Leo Dantas se insere dentro de uma tradição espiritual que remonta ao nascimento da Umbanda no Brasil.

Em 1908, o espírito Caboclo das Sete Encruzilhadas manifestou-se através do médium Zélio Fernandino de Moraes, fundando a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade e dando início a uma nova religião brasileira chamada Umbanda — termo já existente à época, que significa “cura”.

Dessa casa nasceram outras, formando gerações de terreiros que mantiveram viva essa tradição.

Entre elas destacam-se a Tenda Espírita São Jorge, ligada ao momento em que os atabaques passaram a fazer parte das giras, e a Tenda Espírita Fé pela Razão, dirigida por Henrique Landi.

Dessa linhagem surgiu a Fraternidade da Luz, fundada por Henrique Landi e posteriormente conduzida por Armando Fernandes, fundador do Templo A Caminho da Paz.

Foi dentro dessa corrente espiritual que Leo Dantas iniciou sua caminhada.


O chamado do tambor


Desde cedo, Leo dedicou-se à curimba — o conjunto de atabaques e cantos que sustenta espiritualmente as giras de Umbanda.

Foi escolhido em sua primeira visita a um terreiro por Tranca Rua das Almas, por volta de 2001.

Ao longo de mais de duas décadas, desenvolveu profundo domínio dos toques e pontos tradicionais, passando por cerca de 200 casas entre Umbanda, Omolokô, Candomblé e espaços humildes de atendimento.

Foi curimbeiro, recebeu o título de Ogan na Umbanda, tornou-se Ogan chefe e foi confirmado e suspenso na nação Angola pelo orixá Xangô.

No Candomblé, o Ogan é um cargo de nascença que precisa ser confirmado.

Na Umbanda, é um título conquistado por responsabilidade e liderança.


Entre casas e gerações


Ao longo de sua trajetória, Leo colaborou com diversas casas, entre elas:

• Templo A Caminho da Paz — onde atuou como curimbeiro e recebeu o título de Ogan 5° grau na Zarihamy

• Cabana do Mestre Omulu — colaborando na reconstrução da corrente espiritual

• Tenda Espírita Nossa Senhora da Glória — onde ministra aulas de atabaque

• Tenda Espírita Estrela de Oyá — onde atua como Ogan chefe e responsável pela curimba

Leo se conecta com diferentes gerações de casas ligadas ao Caboclo das 7 Encruzilhadas, mantendo vivos os fundamentos e construindo novos ensinamentos guiados pela espiritualidade.


O tambor na rua


Em um período marcante, Leo levou seu atabaque para os Arcos da Lapa, no coração do Rio de Janeiro.

Tocando sozinho nas ruas, transformou o tambor em instrumento de acolhimento.

O som ecoava entre moradores de rua, trabalhadores noturnos e transeuntes — misturando música, espiritualidade e humanidade.

Foi nesse momento que muitos passaram a reconhecê-lo como:

um andarilho do axé.

Também tocou em bares, rodas de samba e blocos de rua, ampliando sua vivência técnica e humana além do ritual.


O professor de curimba


Além de tocar, Leo também ensina.

Com mais de 100 alunos formados, participa da formação de novos curimbeiros, transmitindo conhecimentos sobre:

• toques tradicionais

• pontos de Umbanda

• responsabilidade espiritual do Ogan

• fundamentos da mecânica dos fluidos espirituais


Um caminho em movimento


Com o passar dos anos, Leo passou a exercer um papel raro na Umbanda contemporânea:

o de conectar casas, gerações e curimbeiros.

Percorrendo diferentes terreiros, fortalece curimbas, compartilha conhecimento e mantém viva a tradição do tambor.

Seu caminho não é o de fundar algo novo.

É o de manter viva a força do que veio antes.